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Avaliação de cultivares e difusão de boas práticas incentivam plantio de feijoeiro na agricultura familiar

Avaliação de cultivares e difusão de boas práticas incentivam plantio de feijoeiro na agricultura familiar
Rosana Persona (Jornalista)

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Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE-2009), a agricultura familiar participa com 15% da produção de feijão no Estado de Mato Grosso, produzindo em torno de dez mil toneladas. Para ampliar a área e melhorar a qualidade da cultura, o pesquisador da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), Valter Martins de Almeida, e parceiros desenvolvem projeto de avaliação de genótipos de feijoeiro comum e difusão de boas práticas agrícolas para pequenos e grandes produtores. A cultura do feijoeiro no Estado ocupa uma área de 50 mil hectares, com uma produção de 79 mil toneladas e produtividade média de 1.600 quilos por hectare. O objetivo do projeto é a recomendação de novas cultivares e a transferência de tecnologia. Segundo o pesquisador serão implantadas oito Unidades Demonstrativas (UD), nos municípios de Aripuanã, Juína, Colniza, Acorizal, São Pedro de Joselândia, Rosário Oeste, Chapada dos Guimarães e Lucas do Rio Verde. “Vamos testar dez variedades de feijão que melhor se ajustam em solo de menor fertilidade e em locais de temperaturas mais elevadas”, ressalta Martins. Esse projeto conta com a participação de produtores, pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e técnicos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Extensionistas e técnicos participaram de um curso de capacitação sobre a cultura do feijão no município de Alta Floresta, no mês de outubro, conhecendo o ciclo da cultura, cultivares mais tolerantes a altas temperaturas, programação de plantio, colheita e outros. A pesquisa visa proporcionar um atendimento diferenciado a pequenos agricultores, dando ênfase na escolha da área para implantação da cultura, informar a época de semeadura na agricultura familiar que acontece nos meses de fevereiro/março, para o feijão da seca. Adequar o ciclo da cultura com a distribuição de chuvas (fase reprodutiva, formação e enchimento dos grãos), e variedades tolerantes a temperatura acima de 30 graus. O produtor rural, Eufrázio Olímpio de Jesus, do município de Acorizal (62 km ao Norte de Cuiabá), possui 21 hectares, na Comunidade Xavier. Em 2011, pretende plantar 1 hectare de feijão. O produtor recorda que no final de março/2010, plantou feijão do grupo carioca numa área de 5 mil metros quadrados e não conseguiu colher nada. Para o próximo ano, pretende plantar no mês correto, ou seja, no mês de fevereiro, com informações e orientações dos técnicos da Empaer. Adubação Verde Almeida salienta que o trabalho de pesquisa pretende auxiliar o produtor a produzir um feijão de qualidade para subsistência e comercialização do excedente. Para garantir a sustentabilidade da produção do feijoeiro comum, os pesquisadores incentivam a utilização de boas práticas agrícolas na recuperação da fertilidade dos solos já cultivados e manejo da cultura. Uma técnica que está sendo aplicada é a adubação verde que facilita o acréscimo de teores de matéria orgânica no solo. Para a adubação verde, destacam-se as leguminosas, principalmente pela sua capacidade de fixação do nitrogênio do ar. Almeida menciona que a adubação é para aumentar a produção das lavouras, favorecer a atividade de microorganismos benéficos ao solo, controlar algumas plantas infestantes, nematóides, aumentar a disponibilidade de macro e micronutrientes e outros. O feijão oferece uma proteína vegetal de baixo custo na dieta alimentar, evitando deficiências nutricionais de ferro e zinco, principalmente nas crianças. O feijoeiro comum no Estado é produzido tanto em área empresarial como na agricultura familiar.