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Embrapa pesquisa materiais genéticos de capim elefante no cerrado

Embrapa pesquisa materiais genéticos de capim elefante no cerrado
Rosana Persona (jornalista)

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Até o final de 2009, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) estará lançando três materiais genéticos de capim elefante para o Estado de Mato Grosso. Considerada uma das mais importantes forrageiras tropicais, devido ao seu elevado potencial de produção de biomassa, fácil adaptação aos diversos ecossistemas, boa aceitação pelos animais e muito utilizada na alimentação de rebanhos. O pesquisador da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) Francisco Idelfonso Campos e o zootecnista Antônio Rômulo Fava, acompanham a evolução da gramínea e experimentos que são avaliados no campo experimental da Empaer, no município de Tangará da Serra (239km a Médio-Norte de Cuiabá). O trabalho de pesquisa com o capim elefante no Estado começou no ano de 1998, em parceria com Embrapa, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e Empaer. Francisco Campos lembra que foram testados 58 clones e apenas 14 aceitos. Os clones são oriundos do Centro Nacional de Pesquisa Gado de Leite do Estado de Minas Gerais. O experimento tem como objetivo selecionar pelo menos um clone mais produtivo e adaptado para repassar aos pecuaristas. O pesquisador explica que no período das chuvas o capim elefante produz de 70 a 80% de matéria verde e os 20% no período da seca. O capim produz até cem toneladas de matéria seca ou 700 toneladas de matéria viva por hectare, considerado um índice extraordinário. A maior produção do experimento no cerrado atingiu 63 toneladas de matéria seca e 500 toneladas de matéria viva por hectare. Conforme o zootecnista Antônio, o capim elefante pode ser usado de várias maneiras seja em pastejo direto, rotacionado ou em forma de capineira em que a forrageira é cortada e colocada no cocho para o consumo do animal. Ele explica que mais de 50% das capineiras no Brasil utilizam como volumoso a cana-de-açúcar. O capim elefante é pouco utilizado, porque oferece maior número de manejo. Enquanto a cana-de-açúcar é cortada apenas uma vez por ano, o capim elefante sofre cinco cortes. Quando o manejo é feito corretamente, o corte do capim no período das chuvas é realizado de 30 a 60 dias e no período da seca, entre 60 a 90 dias. O teor protéico do capim elefante chega a 16%, enquanto a cana-de-açúcar atinge o máximo de 4%. “O teor protéico é fundamental para a alimentação animal tanto para produção de carne e leite. A cana-de-açúcar é rica em energia e pobre em proteína”, esclarece Fava. O pecuarista tem que ficar atento com o período de corte da gramínea, caso passe do ponto, tornará um capim fibroso, com baixo teor protéico e dificultar a digestão do rebanho. Segundo Fava, os clones de capim selecionados devem apresentar maior teor protéico, menor teor de fibra e mais adaptados para as regiões de Mato Grosso.