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Empaer presta assistência técnica e auxilia comunidades indígenas em Brasnorte na liberação do Pronaf

Empaer presta assistência técnica e auxilia comunidades indígenas em Brasnorte na liberação do Pronaf
Rosana Persona (Jornalista)

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Desde 2009, técnicos da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), atuam nas aldeias indígenas Rikibatsa, Miky e Irantxe, localizadas no município de Brasnorte (579 km a Noroeste de Cuiabá), desenvolvendo projetos com a criação de peixes das espécies matrinchã e tambaqui em tanques redes, extração da borracha em seringal nativo e apicultura. No início de abril, foi liberado recursos do Pronaf B (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), para criação de galinha caipira, no valor de R$ 2 mil, para sete famílias. Com uma população de mais de mil índios, o projeto é financiado com recursos do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e cria alternativas para uma agricultura sustentável. O técnico agropecuário da Empaer, Valmir Ribeiro de França ressalta que o “produtor indígena” é atento às orientações técnicas e colocam em prática exatamente o que aprenderam. “Os índios têm conhecimento sobre agricultura, como cultivar e produzir e querem aprender, ainda mais, com os brancos. Considero excelentes alunos, atentos e disciplinados”, destaca Valmir. Conforme o técnico agropecuário, cada etnia tem a sua própria vocação. Os índios Rikibatsa, por exemplo, vivem exclusivamente da piscicultura. São chamados de canoeiros, pois gostam de pescar nos rios. Na aldeia foram implantados dois tanques redes no ano passado. Como o resultado foi positivo, a Secretaria da Agricultura do município de Brasnorte, por meio do Projeto Arco Verde, repassou R$ 300 mil para criação de peixes nas áreas indígenas. No mês de maio será a festa na aldeia, quando acontece a retirada dos peixes dos tanques para consumo próprio. A expectativa é consumir peixe pesando em média 1.100 quilos, com mais de 25 centímetros. A seringueira nativa com mais de 100 anos produz látex considerado de alta qualidade. Ribeiro explica que essas árvores produzem em torno de seis quilos de látex por mês, no começo da sangria. Já uma árvore comum, ou seja, com sete anos, vai produzir um quilo de látex (começo da sangria). A aldeia Miky tem como atividade principal a extração do látex e cada família retira de 70 a 80 quilos de borracha por mês. A produção é comercializada no município por R$ 3,20 o quilo da borracha prensada. “A comunidade realiza a sangria somente nos meses de março a agosto e estamos orientando para sangrar também nos meses de setembro e novembro”, esclarece. Cada família tem uma roça de aproximadamente meio hectare, os técnicos da Empaer atendem 160 famílias indígenas. Na Aldeia Irantxe, os nativos cultivam olerícolas em hortas caseiras e criação de abelha africanizada. No final de março, o coordenador do Escritório Metropolitano da Empaer, Gildo Alves Feitosa, ministrou curso sobre apicultura com enfoque na casa do mel. Durante três dias, o coordenador abordou sobre manejo de colmeias, união e divisão de enxames, coleta de melgueira, cuidados e higiene na manipulação do mel, pragas doenças e outros. Na comunidade foi construída a casa do mel, que vai funcionar como uma unidade de processamento e fornecer aos apicultores um selo para comercialização do produto. Conforme Valmir, o índio faz três coisas que mais gosta no mato, caçar, pescar e extrair o látex da seringueira. Ainda na comunidade Irantxe, produtores indígenas foram beneficiados com o Pronaf B, para criação de galinhas caipiras. Até o final do mês de abril, mais cinco produtores vão receber o recurso que poderá ser usado para custeio ou investimento. A Fundação Nacional do Índio (Funai) autorizou a Empaer a fazer a Declaração de Aptidão do Pronaf (DAP) e o projeto para financiamento das aldeias indígenas. O engenheiro agrônomo da Empaer, Márcio Gaio, fala que já foram realizadas 150 DAPs referentes às famílias indígenas do Estado de Mato Grosso. “A criação de galinha caipira é uma nova atividade que vem conquistando novos produtores indígenas”, conclui Valmir.