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Lago de Manso pode ser o primeiro do Estado a produzir peixes em tanques-rede

Lago de Manso pode ser o primeiro do Estado a produzir peixes em tanques-rede
Rosana Persona (jornalista)

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O Parque Aquícola no lago de Manso pode ser o 13º no Brasil e o primeiro no Estado de Mato Grosso a produzir peixes em tanques-rede. Para lançar os trabalhos de demarcação do parque, o ministro da Pesca e Aqüicultura, Altemir Gregolin visitou a comunidade João Carro, no município de Chapada dos Guimarães (67 km a Norte de Cuiabá). Com a finalidade de viabilizar a pesca numa área de 450 hectares de lâmina d’água para atender 800 famílias de agricultores familiares. Esse trabalho de demarcação, conforme o ministro Gregolin, pode levar até 8 meses para conclusão, devido a demarcação, estudos ambientais e lançamento dos editais. Ele acredita que somente em abril de 2011, os produtores poderão utilizar o lago de manso para produção de pescado. A Cooperativa dos Pequenos Produtores de Chapada dos Guimarães recebeu do Ministério da Pesca e Aquicultura 33 tanques-redes que serão utilizados no lago para pesquisa com as espécies utilizadas, conferindo a ração, números de peixes por metro cúbico e o desenvolvimento do pescado. O vice-presidente da Cooperativa, Paulo Gomes Soares, produtor há 15 anos, enxerga uma nova oportunidade de geração de emprego e renda para os agricultores e ribeirinhos de nove comunidades que estão próximas ao lago de manso. “Esperamos por esse momento há mais de 5 anos e conforme estudos realizados, o lago reúne condições adequadas com oxigênio em abundância, temperatura da água ideal e considerada uma das melhores águas do Brasil para desenvolvimento da piscicultura”, relata Soares. O supervisor local da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), Roque da Costa ressalta que 93% do solo na comunidade é considerado arenoso, ou seja, pouco produtivo. Ele acredita que o aproveitamento múltiplo do lago de manso é um fator de sobrevivência para os moradores. Após a demarcação do parque, os produtores estarão buscando junto aos agentes financeiros uma linha de crédito para financiar a criação de peixes em tanques-rede. Farão parte da instalação dos tanques-rede os agricultores dos assentamentos Água Branca, Campestre, Bom Jardim, Mamede Roder e Quilombo fazem fundo com o lago de manso. Roque comenta que o êxodo rural nos assentamentos está crescendo, as famílias estão buscando a cidade para criarem seus filhos, devido a dificuldade encontrada no campo. “O tanque-rede será uma alternativa de renda para os agricultores e ribeirinhos da região”, destaca. Projeto Piloto O presidente da Empaer e engenheiro de pesca, Enock Alves dos Santos fala que em 2002, foi feito o primeiro projeto piloto com tanques-rede, nos municípios de Barão de Melgaço e Poconé com objetivo de observar o crescimento do cultivo do pacu. Ele lembra que os números surpreenderam peixes de 12 a 15 gramas e 8 a 12 centímetros, em apenas seis meses, atingiu um peso de 660 gramas. Enock considera um bom número diferente do cultivo tradicional que apresenta um retorno de 20 a 25%. O teste foi realizado em tanques de 2x3 metros de largura por 1,5 metros de profundidade com 220 peixes ou seja, 20 peixes por metros cúbicos e foi analisada a densidade,ganho de peso, crescimento, tipo de ração, temperatura da água, ph e outros. “O produtor pode ter retorno financeiro com a criação em tanques-rede e principalmente num lago que não tem poluição”, explica Alves.