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Palestra sobre cultura da banana orienta comunidade quilombola

Palestra sobre cultura da banana orienta comunidade quilombola
Chrystiane da Conceição (Assessoria/Empaer)

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A equipe do escritório local da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) de Nossa Senhora do Livramento realizou na tarde desta quinta-feira (09.10) palestra sobre a cultura da banana. O tema pragas e doenças foi solicitado pela própria comunidade negra rural Quilombo Ribeirão da Mutuca, que realiza há mais 6 anos a tradicional Festa da Banana Quilombola e é atendida em dois projetos, um pela Chamada Pública para a Sustentabilidade, onde esta palestra foi inserida como meta e outro, pelo Projeto de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ministério do Desenvolvimento Agrário (Ater/MDA). O palestrante, engenheiro agrônomo da Empaer e pesquisador com mestrado em fruticultura tropical Humberto de Carvalho Marcílio, explicou os tipos mais comuns de pragas e doenças. “O moleque ou broca-da-bananeira, é um besouro preto que faz pequenas perfurações no caule. Esses besouros produzem uma larva que é ainda mais prejudicial, pois elas fazem galerias no rizoma da planta, servindo de porta de entrada para fungos como o Mal-do-panamá, que ataca principalmente a banana-maçã”, ressaltou o pesquisador. Esse besouro preto, mede cerca de 11 mm de comprimento e 5 mm de largura. Durante o dia, os adultos são encontrados em ambientes úmidos e sombreados junto às touceiras, entre as bainhas foliares e nos restos culturais. Os danos são causados pelas larvas, as quais constroem galerias no rizoma, debilitando as plantas e tornando-as mais sensíveis ao tombamento. Plantas infestadas normalmente apresentam desenvolvimento limitado amarelecimento e posterior secamento das folhas, redução no peso do cacho e morte da gema apical. A maneira mais eficaz do controle de pragas é o emprego de iscas atrativas tipo telha ou queijo, bastante útil no monitoramento/controle do moleque. Estas devem ser confeccionadas com plantas recém-cortadas (no máximo até 15 dias após a colheita). Recomenda-se o emprego de 50 a 100 iscas/ha (para controle), com coletas semanais e renovação quinzenal das iscas. Os insetos capturados podem ser coletados manualmente e posteriormente destruídos. O ideal é colocar os insetos dentro de uma garrafa com água, sabão e água sanitária, pois só essa solução é capaz de matar os insetos que são resistentes. Quanto às doenças foliares, a mais comum é a Sigatoka Negra e a banana-maçã, que é mais consumida comercialmente, também é mais suscetível à doença. “Antigamente era muito utilizado o inseticida furadan, que foi proibido, por ser altamente nocivo, fazendo muito mal ao produtor e ao meio ambiente”, relatou o pesquisador Humberto. A contaminação do bananal se dá principalmente pelo vento e mudas já contaminadas. O simples uso da enxada ou grade em um pé contaminado pode propagar as pragas para outros pés sadios. Por isso é importante a limpeza e utilização de mudas micropropagadas (biotecnologia) ou simplesmente mudas de laboratório, que são isentas de pragas e doenças. Com esse fato, a bananicultura tem passado por mudanças substanciais, envolvendo a substituição dos antigos plantios com essas cultivares suscetíveis, por outras resistentes à Sigatoka-negra, como Caipira, Thap Maeo, Prata Zulu, FHIA 18 e Prata Ken.