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Pesquisadores da Empaer testam bactéria que reduz custo de produção na cultura do arroz

Pesquisadores da Empaer testam bactéria que reduz custo de produção na cultura do arroz
Rosana Persona (Jornalista)

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Neste período do ano, especificamente na época das chuvas, os pesquisadores da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) estão envolvidos com o plantio dos experimentos de diversas culturas. Esta preparação exige um trabalho especial, todos os fertilizantes são pesados individualmente, linha por linha de plantio. Com a amostragem do solo feita e aplicado calcário, preparam o plantio de cultivares recomendadas de arroz para o Estado de Mato Grosso. Num trabalho inédito utilizam a bactéria Azospirillum que fixa o nitrogênio do ar e repassa para a planta. A doutora em fertilidade do solo da Empaer, Maria Luiza Perez Villar, ressalta que a bactéria Azospirillum evita o uso de adubo nitrogenado e a contaminação do meio ambiente por nitrato, que polui as águas dos rios. A bactéria penetra na raiz da planta, associa-se com várias gramíneas tais como, milho, trigo, sorgo e outras, multiplica bem quando a fonte de Nitrogênio é o carbono, produz fitohormônios que alteram o metabolismo da planta, aumentando a absorção de água e mineral, isso ocorre em todos os tipos de solo e clima e o uso da bactéria (inoculante) reduz até 50% o uso de fertilizantes. Conforme a doutora Maria Luiza, no Brasil a cultura da soja é pioneira na utilização da bactéria que fixa nitrogênio do ar e doa para a cultura. Na soja é usada a bactéria Rhizobium que atinge os nódulos radiculares suprindo a planta de Nitrogênio. “O Brasil se destaca no mundo por utilizar o melhor sistema de inoculação da soja com fixação biológica de Nitrogênio, isso é resultado de um programa integrado entre melhoristas e microbiologistas”, destaca Villar. A bactéria Azospirillum para a cultura do arroz, segundo Maria Luiza, trará economia no custo de produção e ganho ambiental. Ela explica que para plantar um hectare de arroz são necessários 500 quilos de sulfato de Amônio, a um custo de R$ 785,00 ou 250 quilos de ureia a um preço de R$ 275,00. Na cultura da soja com o Rhizobium é utilizado apenas 200 gramas, para cada hectare, a um custo de até U$ 2,00 a dose. Os testes estão sendo realizados nos campos experimentais da Empaer para verificar qual a cultivar mais receptiva à bactéria Azospirillum. As variedades testadas são: Primavera, Cambará, BRS-Sertaneja, Pepita, Cirad e Monarca . O projeto é financiado pela Fapemat (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso) no valor de R$ 300 mil, com duração de três anos. O trabalho conta com a parceria do Centro de Biotecnologia da Embrapa. Novos materiais estarão à disposição em 2011.