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Produtores discutem alternativas para comercializar produção de mandioca

Produtores discutem alternativas para comercializar produção de mandioca
Rosana Persona (Jornalista da Empaer)

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Na última sexta-feira (13.07), foi realizado o Primeiro Encontro de Agricultores de Chapada dos Guimarães (67 km ao Norte de Cuiabá), no Sítio Paio Velho, entorno do lago de Manso. O objetivo foi discutir alternativas para comercialização da mandioca, preço do produto, mercado consumidor, renegociação das dívidas e criação de peixes em tanques redes. O evento foi coordenado pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Associação dos Moradores e Pequenos Produtores Rurais do Projeto de Assentamento Mamede Roder, Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) e contou com a participação de 90 produtores. O coordenador do MAB, Paulo Pereira Fernandes, explicou que na região são cultivados 300 hectares de mandioca, com uma produção estimada de 3.750 toneladas. O problema enfrentado pelos produtores, atualmente, é o preço oferecido pelos compradores, de apenas R$ 7,00 o saco de 60 quilos. Conforme Paulo, o custo de produção está em torno de R$ 11,60 (saco/ 60kg), ou seja, com a venda da mandioca, os produtores não conseguem ter lucro e quitar o financiamento junto ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). “Estamos preocupados em pagar nossas dívidas e escoar a produção”, destacou. A produtora rural Zaira Cândida de Araújo contou que seu filho, Lequir Araújo Fonseca, plantou 15 hectares de mandioca e não tem para quem vender. O produtor Vitorino Correa da Silva, que possui 6 hectares de mandioca plantados, explica que até dezembro precisa comercializar toda produção, caso contrário, poderá apodrecer no solo. Segundo Vitorino, na região são produzidas mandioca da variedade Liberata, ideal para mesa e cultivada conforme as exigências do consumidor. Ele pretende vender por R$ 20,00 o saco. “Tenho fé em Deus que vou vender toda minha produção” avaliou Silva. No início do ano, a mandioca era vendida por até R$ 70,00 o saco. O presidente da Associação Mamede Roder, Paulo Marques Pinho, comenta que o ideal era ter um preço mínimo para comercializar a produção e diversificar com o plantio de hortifruti e a implantação dos tanques redes para produção de pescado no lago de Manso. Ele recorda que o Ministério da Pesca e Aqüicultura repassou para a Cooperativa dos Pequenos Produtores de Chapada dos Guimarães 35 tanques-redes . “Podemos também trabalhar com a piscicultura, mas é necessária a demarcação do lago”, explicou Pinho. O coordenador regional da Empaer, Vico Capistrano, lembrou que os produtores da região do entorno do lago de Manso tem tradição no cultivo da mandioca. O solo apresenta boa fertilidade, é arenoso e fica fácil a retirada da raiz da mandioca, tanto no período da seca como das chuvas sem causar quebra do produto. O supervisor da Empaer na comunidade João Carro, Roque da Costa, falou que 100 produtores rurais estão preocupados em vender a produção e já foram cadastrados na Central da Agricultura Familiar em Várzea Grande. “Estamos buscando alternativas para escoar a produção”, antecipou Roque. O assessor especial da Secretaria de Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar (Sedraf) e responsável pela Central da Agricultura Familiar, José Alfredo da Costa Marques, orientou os produtores a produzirem farinha de mandioca para vender no mercado da capital. Ele também sugeriu o cultivo de Frutas Legumes e Verduras (FLV). Conforme Marques, alguns supermercados de Cuiabá, assinaram contrato com produtores rurais de outros Estados para compra de mandioca o ano todo. Participaram do encontro representantes das comunidades João Carro, Água Branca, Campestre, Bom Jardim, Pedra Preta, Mamede Roder e Quilombo.