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Produtores reduzem mão-de-obra no processamento da amêndoa do cacau

Produtores reduzem mão-de-obra no processamento da amêndoa do cacau
Rosana Persona (Empaer-MT)

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Com uma produção de sete toneladas de amêndoas de cacau por ano, os produtores Ivo Neumann e Vildzon Neumann, do município de Brasnorte (579 km a Noroeste de Cuiabá), reduziram em 70% a mão-de-obra com a implantação de uma máquina adaptada para processamento da amêndoa e quebra da casca do cacau. Com o novo equipamento, em apenas cinco horas de trabalho são produzidos 300 quilos de amêndoas e 1.800 quilos de casca. Na fazenda Pica Pau, localizada na estrada Rio do Sangue, os irmãos Neumann plantaram dez mil pés de cacau e a colheita é realizada o ano todo. Ivo esclarece que para produzir 300 quilos de amêndoas eram necessários mais de seis funcionários, em um período de dez horas. Hoje, apenas três funcionários operando a máquina conseguem em dez horas produzir 600 quilos de amêndoas. Conforme Ivo, a máquina reduziu a mão-de-obra, agilizou o serviço, proporcionando uma economia de 75%, na retirada da amêndoa. “Para adaptação da máquina, utilizamos sucatas existentes na fazenda, copiamos o modelo de um equipamento utilizado na Bahia e o investimento chegou a R$ 5 mil. Em anos anteriores, fiz um orçamento de uma máquina nova e o preço era de R$ 30 mil. Estamos satisfeitos com a economia e a produção”, enfatiza. A amêndoa é vendida para os Estados de São Paulo e Rondônia e o preço está em torno de R$ 10,40 o quilo. A casca considerada um subproduto do cacau é uma excelente ração para o gado e muito utilizada no período de seca do ano. Pioneiros, os irmãos Neumann começaram o cultivo em 2006 e como alternativa de renda buscaram na lavoura de cacau a diversificação da propriedade. Ivo lembra que seu pai plantou uma muda de cacau no terreiro de sua casa e ficou entusiasmado com o crescimento da planta e com o valor comercial do cacau e dos diversos subprodutos que poderiam ser produzidos com o fruto. Após dez anos, os irmãos realizam três tipos de colheitas e estão satisfeitos. O engenheiro agrônomo da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), Robson Vicente de Almeida Lobo, fala que para desenvolver a cultura foi preciso buscar informações técnicas na Empaer, na Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) no Escritório Regional de Alta Floresta, que deu apoio técnico decisivo para a tomada de decisões em plantar cacau. Conforme Robson, no início do plantio a produção era em torno de 600 quilos por hectare e hoje chega a 800 quilos/hectare de semente seca. De acordo com Lobo, o Sistema Saf’s escolhido pelos produtores ajudou a desenvolver também a cultura da seringueira, que estava abandonada e hoje também gera lucro na propriedade. Os Saf’s apresentam como principais vantagens, a recuperação da fertilidade do solo, o fornecimento de adubos verdes, o controle de ervas daninhas, entre outras. A cultura do cacau necessita de sombreamento e a seringueira permite a sombra necessária para o desenvolvimento da planta, que não utiliza produtos químicos. “O sistema Saf’s é uma alternativa viável para os produtores da região auxilia a evolução de outras culturas, como exemplo, a seringueira que já está produtiva e gerando renda”, esclarece Robson.