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Técnicos da Empaer acompanham recuperação da mata ciliar às margens do Rio Coxipó

Técnicos da Empaer acompanham recuperação da mata ciliar às margens do Rio Coxipó
Rosana Persona (Jornalista)

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Durante dez anos, o engenheiro florestal da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), Antônio Rocha Vital, acompanhou o crescimento da mata ciliar às margens do Rio Coxipó, medindo a circunferência do tronco e a altura da copa das árvores. Numa área de oito hectares, localizada no colégio Salesiano Santo Antônio, foram identificadas na mata 358 árvores de 62 espécies diferentes, animais e aves que usam a área para pouso e nidificar. As matas ciliares são consideradas fonte de biodiversidade e elemento importante para manutenção das águas nos centros urbanos. Conforme Rocha, o objetivo do trabalho é demonstrar as condições de uma mata ciliar recuperada após cem anos de isolamento. Em 1999, foi efetuada a primeira medição da circunferência do tronco, sendo marcada com uma placa de alumínio numerada e fixada na casca. Após dez anos, as árvores cresceram em média 55 a 105 centímetros de circunferência e de 12 a 16 metros de altura, variando de espécies. “O trabalho permite afirmar que a mata ciliar está recuperada e cumprindo seu serviço ambiental”, esclarece Vital. A engenheira Florestal da Empaer, Máyra Valdoveu, participou do trabalho de campo e verificou a incidência na mata das espécies de plantas como o angico (11%), mulateira (9%), bordão velho (5%), gonçaleiro (4%), louro (4%) e mamica de porca (4%). As espécies recentes plantadas predominam as mudas de mulateira e do novateiro, plantas típicas do cerrado. Foi encontrado e distribuído pela mata árvores produtoras de fruto como jenipapo, bocaiúva, acuri, chico magro, fruta banana, cumbaru, feijão cru e jatobá. Segundo Rocha, esse levantamento será repassado para os alunos do Colégio Salesiano, mostrando como recuperar áreas degradadas e matas ciliares com a ajuda e conscientização da população. Ele ressalta que na área também encontraram vários animais como macaco, morcego, esquilo, lagarto. As aves utilizam a mata como pouso provisório e até para montagem dos ninhos. Foram encontradas espécies como o biguá, coruja, joão de barro, gavião-carcará, japuíra, pica-pau e outros. Os engenheiros constataram que a recuperação da mata ciliar tem sido feita com o plantio de diversas espécies arbóreas, dando suporte nas atividades de monitoramento anual e educação ambiental. Eles acreditam que a recuperação deve ser feita com práticas de replantio com espécies nativas, permitindo assim, a maior diversidade de recursos para animais que compõe esse bioma. Rocha enfatiza se houver algum resíduo de mata que possa funcionar como fonte de semente, a regeneração pode acontecer espontaneamente com o isolamento da área, obtendo maior diversidade de espécies arbóreas, arbustivas e herbáceas. METODOLOGIA Esse é o primeiro trabalho científico realizado em matas urbanas em Cuiabá e levaram quatro meses para medir todas as árvores existentes na mata. A floresta foi dividida e utilizaram imagens de satélite para facilitar a localização das árvores e todas foram georreferenciadas recebendo as coordenadas geográficas. A equipe pretende retornar à mata após cinco anos, para fazer nova medição e acompanhar o crescimento e verificar o índice de sobrevivência das árvores. “O grande valor desse trabalho é o padrão que será apresentado sobre mata ciliar recuperada”, acrescenta Vital.